Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares, de Aparelhos de Radiotransmissão, de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar, Lâmpadas e Aparelhos Elétricos de Iluminação de Curitiba e Região Metropolitana

A ARTE DE BUSCAR ALTERNATIVAS

Por Ricardo de Almeida Prado Xavier

Em busca de emprego, um profissional comparece a uma entrevista com uma assistente de recrutamento de uma grande empresa. Perguntado sobre suas habilidades, esclarece que trabalha com vendas e gostaria de se candidatar a uma eventual vaga. A assistente responde que no momento a empresa não está recrutando pessoas para vendas e informa que, se aparecer uma oportunidade, ela comunica. Ele agradece, despede-se e vai embora. Esse diálogo curto, direto, “objetivo”, bitolado e limitado provavelmente fez com que o relacionamento entre esse profissional e a empresa tenha terminado ali.

Tudo poderia ser diferente se ele fizesse perguntas, como: “Há alguma outra vaga para a qual minhas qualificações sejam de utilidade?” Ou até mesmo tivesse procurado criar um clima de cordialidade e empatia, deixando de alguma forma a sua marca. Igualmente, tudo poderia ser diferente se a assistente, ao receber o currículo, perguntasse: “O senhor só se interessa pela área de vendas, ou avalia trabalhar em outras funções?” Cada um deles agiria melhor em interesse próprio e no interesse da empresa se procurasse ver além das possibilidades mais imediatas.

Durante todo o trajeto da carreira surgirão barreiras, obstáculos, dificuldades e limitações. A diferença entre um profissional que chega mais longe e um que obtém menos de seu potencial é que o primeiro não toma as coisas como definitivas e como alternativas únicas, mas busca outras formas de atingir os seus objetivos. O psicólogo e consultor Edward De Bono sugeriu que em vez de pensar em termos de “yes” e “no” as pessoas deveriam sempre pensar em termos de “po" (possible, possível). É um sábio conselho para quem deseja adotar visões mais criativas e descobrir outras possibilidades.

COMPORTAMENTOS
As pessoas que enxergam ou descobrem novas possibilidades têm algumas características, que podem ser adquiridas e incorporadas por meio de treino e de conscientização.

São otimistas e persistentes, acreditam nas possibilidades. O otimismo excita a imaginação e revela ângulos novos da situação a serem explorados, indica oportunidades; o pessimismo, ao contrário, estreita o campo perceptivo e derruba a motivação, evitando que se façam as necessárias tentativas. Como disse Ford: “Se você pensa que pode ou pensa que não pode, de qualquer jeito você tem razão.”

Não se “rotulam”. Muitas pessoas criam rótulos muito rígidos para si mesmas. Por exemplo: “Sou gerente de contas internacionais”, “sou muito velho para o que as empresas desejam hoje em dia”, “não tenho habilidade para negociar”. Ao classificar-se restritivamente, a pessoa deixa de ver oportunidades que poderiam ser interessantes para ela. Afinal, ninguém é “gerente de contas internacionais” mas ocupa ou ocupou tal cargo, podendo vir a ocupar outros! Por outro lado, quem está dizendo que o profissional é “muito velho”? O que é ser velho? E será que o outro efetivamente não tem habilidades de negociação ou só pensa que não as tem? Ademais, não poderia aprendê-las?!

Não tomam o “não” como definitivo. Um executivo apresenta um bom projeto, mas a diretoria não aprova. Se ele tem inteligência emocional, não toma essa rejeição como definitiva, pois sabe que aquilo que não teve aprovação hoje pode amanhã ser bem aceito. Em vez de ficar remoendo mágoas, trata de traçar novas estratégias para o futuro - no qual eventualmente o projeto voltará. Do mesmo modo, um cliente que não quis comprar hoje poderá fazê-lo dentro de três meses.

São flexíveis e receptivas. Em vez de mostrar o que desejam atingir, procuram ver em que poderão ser úteis. Captam as sugestões dos outros, permitem que eles participem nos projetos que desenvolveu, nas formas e processos que ele criou para oferecer-lhes. Assim, todos têm paternidade nas realizações e essas são maiores e mais sólidas.

Fazem a “lição de casa”. Antes de sair em busca de um emprego em uma determinada empresa, a pessoa pergunta-se: Como poderei explorar ao máximo as possibilidades nessa busca? Antes de ir fazer uma venda ou apresentação de um projeto, busca verificar se não está com visão muito estreita e como pode ver as oportunidades com mais clareza.

AGENTES DE MUDANÇAS
O mundo tem regras, obstáculos, processos formais que inviabilizam os objetivos profissionais. Mas o mundo pode e deve ser mudado quando oportuno. Assim, para realizar seus objetivos, eventualmente a pessoa pode mostrar-se inadequada, mas também pode e deve mudar-se quando necessário. O importante é que não se conforme com as coisas busque alternativas para mudar o mundo ou mudar a si mesma.

Publicado no Estado de São Paulo em 01 de outubro de 2006