Lutas

Além de defender os trabalhadores da base, o Seletroar também luta por causas mais amplas, que atingem toda a sociedade brasileira. Entre essas lutas estão, por exemplo, a jornada de 40 horas semanais, a universalização da participação nos lucros e resultados, estabilidade no emprego, qualificação profissional e respeito aos valores democráticos. Todos queremos uma sociedade melhor e mais justa. Por isso, buscamos as transformações sociais e econômicas que achamos necessárias.


Jornada de 40 horas semanais

Uma das lutas mais antigas da classe trabalhadora é a redução da jornada de trabalho.  Desde o início do trabalho assalariado, com a advento da Revolução Industrial, a luta por uma jornada menor tem ocorrido no mundo todo. Por volta de 1800, a jornada diária chegou a ser de 14 horas na Europa e nos Estados Unidos, ou seja, muitas pessoas viviam apenas para o trabalho.

Depois de muitos anos os trabalhadores conseguiram que a jornada diária fosse fixada em 10 horas diárias, em 1847, na Inglaterra. No início do século 20, a jornada semanal média era entre 50 e 60 horas semanais.

Durante todo o século passado, os trabalhadores conseguiram com que a jornada fosse sendo reduzida gradativamente. Já em 1936 a França foi o primeiro país a adotar a jornada de 40 horas semanais. Após a Segunda Guerra Mundial, outros países, como a Austrália, os Estados Unidos e o Canadá, seguiram o exemplo da França. Atualmente, vários países praticam jornada abaixo de 40 horas, como o Canadá, a Suécia, a Espanha e a Itália.

No Brasil, a legislação brasileira nunca estabeleceu jornada maior que 8 horas semanais. A jornada era de 48 horas semanais até que a Constituição de 1988 fixou o novo limite em 44 horas. Nos últimos anos, a luta tem sido pela aprovação da jornada de 40 horas semanais.

Apoiamos a implantação da jornada de 40 horas por vários motivos, entre os quais:

- A criação imediata de novos postos de trabalho.

- A preservação da saúde do trabalhador.

- A necessidade de mais tempo para qualificação e aperfeiçoamento.

- Melhor qualidade de vida para o trabalhador, que terá mais tempo para o lazer, o esporte e a cultura.

Vários estudos demonstram que é economicamente víável a jornada de 40 horas já que a produtividade multiplicou-se nas últimas décadas. Hoje é possível trabalhar menos tempo com mais qualidade. Já conseguimos acordos de redução de jornada com algumas empresas. Continuamos lutando pela aprovação da jornada de 40 horas para todos ps trabalhadores do país.


Participação nos lucros e resultados

Outra bandeira de nosso sindicato é a participação nos lucros e resultados, chamada comumente de PLR. Lutamos para que a PLR seja universalizada para todos os trabalhadores em todas as empresas. Apesar de não ser obrigatória legalmente, já conseguimos implantar a PLR em diversas empresas.

A participação nos lucros e resultados é um conceito que existe, pelo menos, desde 1812, quando Napoleão Bonaparte, através de decreto, distribuiu parte dos lucros de uma companhia teatral entre os artistas. A partir de 1950, na Inglaterra, a PLR começou a ser aplicada de forma mais constante, principalmente para combater os movimentos grevistas.  No Brasil, a PLR ainda é um instituto relativamente novo, tendo sido mais difundida durante a década de 1990.

Nós do Seletroar consideramos a PLR não apenas uma forma de aumentar o rendimento do trabalhador, mas também um meio de integrá-lo na administração da empresa, fazendo com que ele participe efetivamente do processo de tomada de decisões.


Estabilidade

Se a estabilidade plena e definitiva é algo muito difícil de ser alcançado, devemos dificultar ao máximo a dispensa imotivada, criando penalidades e ônus financeiro para o empregador. Desde a insituição do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) a estabilidade deixou de existir na prática, salvo em raras exceções.

Como consequência dessa situação, cada vez que o empregador encontra qualquer dificuldade, uma das primeiras alternativas é a demissão de trabalhadores. Para combater esse quadro, tentamos, na nossa convenção e em nossos acordos coletivos, colocar mais obstáculos que inibam o patrão de demitir sem justa causa.


Qualificação profissional

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo Brasil hoje é a falta de mão de obra qualificada. Com o crescimento da economia nacional nos últimos vinte anos, abriram-se muitos postos de trabalho e o desemprego desceu a níveis bastante baixos. Ao mesmo tempo, aumentou a exigência de qualificação para o preenchimento das vagas existentes. Escolaridade mais elevada, conhecimento de informática, domínio de idiomas são, entre várias outras, exigências comuns. Para enfrentar esse problema precisamos de muito investimento em educação e qualificação profissional.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, mais de 70% dos trabalhadores brasileiros afirmam nunca terem frequentado nenhum curso de formação ou aperfeiçoamento profissional. Além disso, ainda temos 13,5 milhões de analfabetos com mais de 15 anos de idade fora de cursos de alfabetização. Frequentemente ficamos entre os últimos lugares nas pesquisas de qualidade de ensino feitas em vários países.

Precisamos de ações imediatas na educação e qualificação. Os sindicatos, por representarem a classe trabalhadora, têm um papel decisivo nessa questão. Um dos objetivos do Seletroar é a construção de um centro de treinamento e qualificação profissional para atender aos trabalhadores de nossa base.


Distribuição de renda

Apesar de ter havido uma ligeira melhora na distribuição de renda no Brasil nos últimos vinte anos, estamos ainda em uma situação de extrema desigualdade econômica. Isso continua acontecendo principalmente porque nossas prioridades de gastos e nosso modelo tributário não são capazes de redistribuir a renda de forma mais equânime.

A maior parte do que o governo arrecada é gasta em pagamento de juros da imensa dívida pública e nos altos salários, aposentadorias e pensões do funcionalismo público. Muito pouco é transferido para as camadas mais pobres, seja através de programas sociais ou investimentos em educação, saúde e infraestrutura básica.

Nosso sistema de tributação também contribui para a desigualdade econômica, ao privilegiar a cobrança de impostos de bens de consumo ao invés de incidir mais sobre a renda e o patrimônio. Como resultado disso, ao se adquirir qualquer produto, tanto o mais pobre como o mais rico pagam a mesma quantidade de impostos.

Precisamos alterar profundamente nosso modelo social e econômico se quisermos realmente avançarmos em direção a um país mais justo e igual. Temos que frear o gigantismo estatal, controlar os gastos públicos, reduzir as taxas de juros e investir no que é necessário: saúde, educação, infraestrutura e segurança.