Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares, de Aparelhos de Radiotransmissão, de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar, Lâmpadas e Aparelhos Elétricos de Iluminação de Cuirtiba e Região Metropolitana

04 de fevereiro de 2009

USO DA CAPACIDADE INSTALADA CAI PARA 80,2% EM DEZEMBRO

Intensidade da retração surpreende

A indústria brasileira reduziu para 80,2% a utilização de sua capacidade instalada e reduziu em 8% as horas trabalhadas na indústria, em dezembro, na comparação com novembro. É uma retração tão "surpreendente" e "intensa" que deixou de ser importante saber se o país vai entrar em recessão - dois trimestres consecutivos de recuo no Produto Interno Bruto (PIB) -, avalia o economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. "Essa queda foi surpreendente e reflete a parada na produção com férias coletivas, estoques altos e alguma perda de emprego. Está totalmente fora do padrão dos indicadores da CNI.

" Os estragos mostrados pelos dados do último trimestre da indústria são suficientes para deixar no segundo plano o conceito de recessão técnica, argumenta Castelo Branco. Na comparação de dezembro com novembro, o faturamento aumentou 1,4%, mas as horas trabalhadas (atividade) despencaram 8% e o emprego recuou 0,5%.

No confronto de dezembro com o mesmo mês em 2007, o faturamento recuou 2%, as horas trabalhadas reduziram-se 4,6%, o emprego cresceu 1,9% e a massa salarial baixou 0,2%. A utilização da capacidade instalada desceu de 81,4% (novembro) para 80,2% (dezembro), o que significa volta aos níveis de março de 2006.

Como o início de 2008 foi acompanhado de atividade muito forte, os indicadores da CNI encerraram o ano passado com variações positivas para faturamento (5,7%), horas trabalhadas (4,8%), emprego (4%) e massa salarial (4,4%).

Enquanto o IBGE mede a produção física da indústria (quantidades fabricadas), a CNI apura faturamento real, horas trabalhadas, emprego, massa salarial e utilização da capacidade instalada. Castelo Branco ressaltou que o IBGE mostrou, de setembro a dezembro, recuo de quase 20% na produção física da indústria. "A crise chegou forte. É o terceiro mês consecutivo de queda nos indicadores industriais."

Segundo as explicações da CNI, os segmentos que, em 2008, impulsionavam o aumento da atividade industrial, estimulados pela demanda externa e pelo crescimento do crédito, foram os mesmos que puxaram para baixo o setor a partir de outubro. No quarto trimestre, todos os 19 segmentos acompanhados pela CNI tiveram queda nas horas trabalhadas. As mais intensas foram em material eletrônico e equipamentos de comunicação (49,1%), veículos automotores (46,7%) e couros/calçados (30,2%).

Na perspectiva do economista da CNI, o primeiro trimestre já está comprometido, mas não deve ser tão negativo quanto o último do ano passado. Na pesquisa Sondagem Industrial, da CNI, divulgada na semana passada, os empresários revelaram que planejam compram menos matéria-prima nos três primeiros meses do ano. Além disso, a falta de demanda passou a ser apontada como um dos maiores problemas enfrentados .

Fonte: Valor Econômico